A história da mini saia

Por Camila Biscardi | 04.01.2012

Após longos anos de privações que a sociedade sofreu durante o período da segunda guerra mundial, o final dos anos 50 ficou marcado pelo crescente poder aquisitivo dos jovens e um anseio por uma imagem mais jovial. Toda essa prosperidade fomentou uma sociedade mais consumista, desencadeando um desenvolvimento comercial na moda. A roupa passou a ser então um objeto descartável nos armários dos jovens.

Apesar de todo esse movimento, a moda ainda não acompanhava o ritmo frenético dos jovens. Mulheres e homens ainda tinham um visual maduro e convencional. Paris continuava sendo o centro da moda, com marcas parisienses estabelecidas, fornecendo a seus clientes ricos roupas que mantinham o padrão elevado e que evitavam movimentos revolucionários.

Em meados de 1960, a moda americana se aproximou mais da européia, que pela primeira vez tinha suas regras ditadas por um grupo de estilistas londrinos. A partir desse momento o foco da moda se concentrou nos jovens de classe média e não mais nos indivíduos privilegiados financeiramente, os burgueses. Este cenário só foi evitado pelo rápido desenvolvimento do prêt-à-porter e por criações futuristas e revolucionárias de jovens estilistas como Pierre Cardin, Emanuel Húngaro e Yves Saint Laurent.

Enquanto isso na Inglaterra o ritmo da música pop toma conta na região de Carnaby Street e King´s Road, instaurando uma mudança radical no comportamento dos jovens. Cabelos longos para os garotos e cortes curtos do famoso Vidal Sassoon para as meninas.

No ápice desse movimento surge a jovem estilista Mary Quant, que disputa com André Courrèges a invenção da minissaia. A brilhante criação rapidamente foi difundida por toda as lojas da Inglaterra, trazendo uma multidão de adolescentes eufóricas atrás desse novo estilo.

Mas a própria estilista sempre declarou que a invenção da minissaia não é mérito dela nem de Courrèges e sim das ruas.

A Invenção da Mini saia
Cansadas do look Ladylike dos anos 1950, quando as longas saias rodadas e as calças cigarretes eram as vedetes, as jovens inglesas se deparam com a invenção de Quant.

Foi em 10 de julho de 1964 que a estilista apresentou a minissaia ao mundo. A proposta de Mary Quant sempre foi criar peças que ela gostava de usar, mas que não encontrava nas lojas.

Os trajes de Mary Quant sempre estavam em perfeita sintonia com a década de 60, suas roupas não obedeciam distinções sociais ou etárias, era uma moda para todos.

As primeiras a usarem a minissaia foram modelos londrinas, mas quem a popularizou foi a modelo Twiggy. O sucesso da estilista influenciou a moda, incentivou e abriu caminhos para outros jovens criadores. A minissaia tornou-se um símbolo da juventude libertária que pregava paz, amor e liberdade no mundo inteiro.

É atribuído a ela o estilo Chelsea Look, que consistia em minissaias, botas de couro com cano alto e camisetas justas. Desde sua criação, a minissaia é uma peça originalmente jovem e informal. Com a evolução da moda e da tecnologia, foram criados novos tecidos e maneiras diferentes de usá-las.

A versatilidade desta peça permitiu seu uso em eventos formais, com tecidos mais sofisticados e elaborados. Segundo Mary Quant, esta é uma peça que está longe de ser vulgar. Na verdade é uma questão comportamental de quem as usa, já que até hoje vemos muitas minissaias sendo usadas por mulheres de todas as idades.