Coco Chanel – Simplicidade e elegância

Por Carol Martins | 04.01.2012

Quando decidi escrever sobre Gabrielle Chanel, senti o peso de uma grande responsabilidade. Como escrever sobre minha grande referência sem soar “en passant”?

E ao pesquisar sobre sua vida, descobri que falar de Chanel não é apenas falar sobre moda, mas sim sobre estilo de vida, sobre libertação dos espartilhos mentais e finalmente sobre a nova mulher, amazona e destemida que arrebata o mundo com as próprias mãos. Essa grande mulher veio para dizer às donas de casa e as inseguras para serem independentes e conquistarem seu espaço.

E hoje percebo que Chanel trouxe para as nossas vidas a potência do feminismo, muitas vezes esquecida por aquelas que preferem ser “amélias”.

Mademoiselle Chanel não é apenas uma respeitada estilista, é também responsável por criar uma nova Era na indumentária feminina, traduzindo um estilo único que transcende a própria marca. Seu grande diferencial foi o fato de trazer para as roupas sua voracidade por ascensão social. Por conta disto, a mulher idealizada por Chanel tinha um ar masculino, dominante, moderno e puramente elegante.

Gabrielle teve uma infância dura. Sua mãe morreu quando ela ainda era muito jovem e foi entregue, com apenas 12 anos de idade, a um orfanato, onde morou até completar os dezoito. Nessa época, Chanel morou num colégio interno e mais tarde arrumou um emprego como vendedora de artigos têxteis.

Toda a dificuldade que passou em sua juventude se reverteu em seu caráter seco e obstinado. Gabrielle, com seu estilo simples e elegante, começou a ocupar o espaço dos “frous-frous” da Belle Époque em seu recém-inaugurado atelier de chapéus.

Em 1913, abria sua primeira loja em Deauville, porém foi com a Primeira Guerra Mundial que obteve sucesso por desenhar os “fatos” de trabalho para as mulheres que substituíam os homens que partiam para o combate.

Suas túnicas em malha de corte reto, saias de comprimento nos tornozelos e casacos 3/4, complementados por finos cintos sobrepostos à cintura, caíram no gosto da elite francesa. Saboreando o alto posto de personalidade européia, Chanel festeja seus 40 anos com o lançamento de seu famoso perfume: Chanel nº 5.

Depois de alcançar o topo, sua queda é arrebatadora. Em tempos de crise seguida de anúncios da Segunda Guerra Mundial, Gabrielle vê seus lucros escoando pelo ralo. Em 1936, chega a ponto de ser expulsa de seu atelier pelas trabalhadoras em greve, e mais tarde fecha as portas de seu negócio.

Após o fim da guerra, Chanel volta do exílio para tentar retomar sua empresa. Sua primeira coleção pós-guerra é um fiasco, mas após duas coleções, consegue se reestabelecer criando o novo tailleur.

Coco Chanel morreu em 10 de janeiro de 1971 em sua suíte do Hotel Ritz, em Paris, com um império estabelecido.