Lee Alexander McQueen – Anarquia Monárquica

Por Carol Martins | 04.01.2012

A sensação de perder um gênio no auge de seu processo criativo é como sentir uma trava na fala, uma imensa frustração em conceber que uma arte muito peculiar foi interrompida, deixando um estilo sem pai. Alexander McQueen era um homem liberto, fazia o que sentia, emocionava em seus desfiles, era anárquico. Na passarela mostrava o seu mundo e fazia dos desfiles verdadeiros shows performáticos. Era engenhoso e sua petulância era absolutamente compreensível.

O estilista inglês nascido em 17 de março de 1969 era o mais novo entre seis irmãos e fazia parte de uma modesta família londrina.

McQueen já sabia o que queria desde muito novo e foi assim que com 16 anos começou a trabalhar como aprendiz de alfaiate na Anderson and Shephard, casa especialista em reproduções históricas de guarda-roupas de teatro e cinema em Saville Row. Nesse período, Lee aprendeu técnicas de modelagem e corte do século XVI, repercutindo em características marcantes do seu estilo atual. O jovem designer trabalhou ainda com Koji Tatsuno e com Romeo Gigli em Milão.

Alexander procurou a instituição de Moda, Central St. Martin School, para tentar um emprego com professor de modelagem. Porém, seu portifólio impressionou tanto que foi convidado a frenquentar a escola como aluno.

Ao terminar o curso McQueen chamou a atenção da famosa editora de moda Isabella Blow que acabou por comprar sua inteira coleção apresentada como trabalho final. Blow tornou-se grande amiga e responsável por sua entrada no mundo da moda.

Em 1992, Alexander lançou sua marca e quatro anos mais tarde foi contratado para substituir Galliano na direção criativa da Casa Givenchy.

Já em 2000 McQueen acabou vendendo 51% da sua marca ao grupo Gucci por não se encontrar satisfeito: reclamou de castração criativa. Rescindiu então o contrato que o prendia ao grupo LVMH. “Foi uma fase muito traumatizante na minha vida. Trabalhar para duas marcas diferentes estava me deixando esquizofrénico.”

Entre 1996 e 2003 foi considerado por quatro vezes o melhor designer britânico de moda do ano. Em Julho de 2003 a Rainha de Inglaterra atribuiu-lhe o título de “A most Excellent Commander of the British Empire” (CBE).

Alexander McQueen suicidou-se em 11 de fevereiro de 2010 aos 40 anos em seu apartamento em Londres a menos de um mês da Semana de Moda francesa onde apresentaria sua coleção Outono-Inverno 2010/2011. Sua coleção de Verão 2010 apresentada em outubro de 2009 foi a mais criativa e magnífica obra artística do designer que ficará na saudade.

“Estamos devastados em saber da morte de Alexander McQueen, um dos maiores talentos de sua geração. Ele trouxe uma noção única e corajosa de ousadia e estética britânica ao palco mundial da moda – do estilo das ruas, à cultura musical e aos museus pelo mundo. Sua morte marca um perda insuperável” (Anna Wintour, editoria de moda da “Vogue” norte-americana, em comunicado oficial).